A melhor coisa a contar é que o jornal tornou-se auto-suficiente. Não precisa de patrocínio, venda avulsa ou assinaturas. Graças à colaboração dos novos e velhos amigos seguirá circulando de dois em dois meses. O leitor encontrará aqui uma única publicidade, a da Livraria Mar de Histórias, mas porque seu proprietário é amigo (quanto e há tanto!) do panorama.

Abaixo o nome daqueles que se sensibilizam com a proposta e persistem numa resistência cada vez mais difícil, visto que as pessoas não vêem com bons olhos o que não é enorme, o que não explode, o que não pulula na mídia. Sabemos, no entanto, que não é distribuindo computadores e aparelhos de ar-condicionado que se faz cultura, e portanto seguimos apresentando outras opções de conhecimento.

Abaixo, o nome dos colaboradores, todos poetas, prosadores,  amantes da poesia.

Adele Weber - Agilberto Calaça
Augusto Sérgio Bastos - Aricy Curvello
Astrid Cabral - Daniel Santos
Elida Escaciota - Guaracy Miceli
Igor Fagundes - Jacinto Fábio Corrêa
Lina Tâmega Peixoto - Lou Viana
Márcia Cavendish Wanderley
Miriam Junghmans - Victor Colonna

Quem quiser juntar-se ao bloco dos resistentes poderá  fazê-lo depositando a quantia que quiser no

Banco 356 - Ag. 0906 - Conta 0009207

No mais, tendo em vista o número da edição a que alcançamos, ela está dedicada à poesia erótica, sempre um tema interessante e, como não poderia deixar de ser, diversificado.
Amor e erotismo são dois temas que movem o mundo e portanto não poderiam deixar de  ser contemplados pelos poetas, observadores e protagonistas sensíveis das relações íntimas e sociais em que o mundo se movimenta, embora muitos achem que há coisas mais sérias a tratar.

De sério, em sentido lato, só existe a arte, que é absolutamente livre. E é com total liberdade, e pela total liberdade de expressão que saudamos os nossos leitores no início de um novo ano que enfrentaremos, sem muitas perpectivas de grandes mudanças (Copenhague e outros exemplos estão aí para demonstrar) mas sempre com muitas esperanças no amor, na arte, na força da criação.

 

Prezados Amigos,

Escrevo-lhes para informar que o panorama da palavra 69, previsto para ser impresso em dezembro, atrasou um pouco. Pronto em janeiro, eis que acontece o imprevisto: gráfica fechada. Sem aviso, sem telefone que responda, sem informação na porta. Nada. Fechou em dezembro a Gráfica Tipológica, e até agora não abriu.

Depois que decidimos a retomada da edição impressa e que se formou o grupo para pagar a impressão, eis que os esforços foram em vão. Infelizmente, até onde sei, não há gráfica que ofereça preço tão em conta ou que possibilite a tiragem de 2 mil exemplares.

Estou, como vêem, perplexa, e até o momento o que me ocorre é divulgar o jornal na edição na internet, como vinha sendo feito até agora. 
Agradeço a todos que se ofereceram para ajudar a causa da poesia, mas as coisas andam de um jeito que nem com boa vontade e dinheiro para pagar a gente consegue.

Um grande abraço e novamente obrigada pela confiança e pelo carinho. Se o panorama, em sentido amplo, se tornar mais claro, quem sabe possamos alcançar o objetivo.
 
Conservamos o editorial original da edição impressa, tendo em vista que é melhor pensar que foi apenas adiada.

Helena Ortiz

Foed Castro Chamma

Descrito pelos amigos como afável, “perdido nas vastidões de seus pensamentos”, o poeta iratiense Foed Castro Chamma era um fenômeno de vitalidade física e mental. Radicado no Rio de Janeiro desde a adolescência, costumava percorrer a cidade de bicicleta. Morava no Rio Com­prido e, com frequência, ia ao centro da cidade a pé.

O escritor André Seffrin, amigo de mais de 20 anos de convivência, chegou a fazer esse trajeto com ele. “Conversávamos muito sobre poesia e vida”, diz Seffrin. “Na minha casa ou na sua casa, foram muitas manhãs e muitas tardes em torno do chimarrão e da boa convivência. Era um ser que respirava poesia, mas não era dado a políticas literárias.”

Chamma vivia isolado do meio literário, mas conquistou a admiração da crítica e de muitos de seu pares – como Mário Faustino, Walmir Ayala, ArianoSuassuna, Carlos Nejar, Alexei Bueno e outros.

Também ensaísta e tradutor, Chamma casou-se em 1952 com Lúcia Monteiro e tiveram dois filhos, Maria Alice e Alfredo.

Entre 1957 e 1958, trabalhou no Jornal de Poesia e passou a colaborar com jornais e revistas, entre eles, o Diário de Notícias e o Correio da Manhã. Ao todo, publicou nove livros de poesia, de Melodias do Estio (1953) à Antologia Poética (2001). Deixou vários inéditos. Conquistou vários prêmios nacionais, com destaque para o Bienal Nestlé de Literatura Brasileira (1984).

“Numa tradição do facilitário, em que os escritores querem o sucesso de público a qualquer custo, Foed produziu uma poesia mística, um verbo dilatado por significações profundas, que não se entregavam facilmente ao leitor. Não apenas escreveu sobre o mistério, mas viveu em mistério”, diz o escritor Miguel Sanches Neto, que editou Chamma na Imprensa Oficial do Estado.

Ligado à Geração de 45, o poeta é pouco conhecido no Paraná. Um motivo a mais para que se recupere a obra do autor dos versos “O grito do pavão/ é som azul partido/ da lágrima, é palavra/ afogada no bico// de prata, surda mágoa/ e canto, raro pranto/ das penas da beleza/ resguardadas no encanto”.

Dia 12, aos 82 anos, de câncer pulmonar.
        

 

 

 

 
 
 
 
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