Cada vez que se finaliza uma edição do jornal já aconteceram inúmeras coisas ao nosso redor. As guerras novas e de sempre, as mentiras, as novas chacinas. Um desentendimento e uma apatia chegaram junto com o século, sobre o qual já se pode arriscar dizer: no início, era a mediocridade.

Pois é em momentos assim que se espera que algo surja, que avance, que se levante para salvar a humanidade, perdida e confusa. O que será? Dizemos: basta. Não agüento mais. Agarramo-nos, como sempre, à nossa salvação.
Os livros foram nosso salvo-conduto para atravessar esses tempos sem descanso e sem consolo. E se conhecemos outros meios, nenhum deles se assemelha, até hoje, ao exercício e ao convívio com a poesia.

Janeiro leva consigo a marca da tragédia, em razão da morte de mais de 200 jovens na cidade Santa Maria, no RS. Um triste balanço para o ano que inicia. E se formos ver onde está a fonte de tudo, chegaremos à indigência cultural que é também uma tragédia.
Jovens brancos, bem nutridos, oriundos de famílias estruturadas, “os nossos bebês” – onde se encontram, onde se divertem? Numa casa noturna onde a atração é um grupo chamado Gurizada Fandangueira, cujo “diferencial” são os shows pirotécnicos.
As famílias das vítimas e a cidade inteira pedem justiça e segurança. Mas não existe justiça. E a segurança é falha. O que existe é a dor, para a qual não há indenização nem justiça.
Quem, dentre nós, pais de todos os tempos, fomos às casas onde os jovens se divertem para conferir as condições de segurança? Quem, dentre nós, norteou os jovens sobre a música de verdade, ensinando-lhe os sinais para distinguir entre o bom e o mau? O brega e o belo?
E assim, mergulhados na dor, não nos lembramos do quanto é importante educação e cultura, observação e crítica, contemplação e avaliação estética. Enfim, o cultivo da beleza.
É isso que tentamos fazer, com mais esta edição do panorama.

 


       

 

 
 
 
 
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