FIM

Angelo Alfonsín

cada poema é um bilhete
de despedida
em caso de saída pela porta
de emergência
toda porta é de emergência
pois sempre se está em busca 
de uma saída
mesmo que seja para lugar
nenhum
cada poema é uma peça
de resistência de quem necessita
transcender tanto a realidade
opressora como a si mesmo
sem deixar de ser o mesmo
tendo de ser diferente
o poema é uma trincheira
o último bastião dos indignados
a Bastilha que não se queda
o sol da meia-noite 
a mão do afogado
a última batida do coração

 

TENTATIVA

Eunice Arruda

Quis
ressuscitar
o morto

Não consegui

Ele não me ouviu
como Lázaro
a Cristo

Preferiu a morte
e a minha inutilidade

 

 

GRITO DA PEDRA

                    Elizeu Moreira Paranaguá

Minha palavra cresce
como grito que chora
acima das aves e do vento
desde o alvorecer do dia


Minha palavra avança
de grito até as estrelas
de grito até as dores


Minha palavra anima
a pedra que se forma
na porta do invisível

 
 
 
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