a raiz do tambor

Dora Figueira Locatelli

 

Dora Figueira Locatelli nasceu em Passa Quatro, sul de Minas Gerais, em 30 de março de 1941 e escreve desde menina.
Foi professora por mais de 30 anos, de Português e Literatura Brasileira, num colégio modelo do Estado, o Colégio Visconde de Cairu, zona norte do Rio de Janeiro. Tem Mestrado em Língua Vernácula e Literatura Brasileira pela UFRJ.
Publicou:
1971 – Árias em solidão maior – poemas inéditos – Prêmio Fernando Chinaglia, da UBE, 1971.
1978 – O Cômico na ficção de José Cândido de Carvalho. Ensaio. Dissertação de Mestrado pela UFRJ, mais tarde considerada tese.
1982 – Abre a janela, Maria! (contos) Prêmio Fernando Chinaglia, da UBE. Publicado em 1983.
1985 – Com a boca no mundo (coletânea com outros autores)
2004 – Sete vozes – antologia, Editora da Palavra, 2004
2011 – A raiz do tambor – poemas – Editora da Palavra, 2011. 

 

                                        

2011 A raiz do tambor poemas Editora da Palavra, 2011.

 

UMA VOZ SINGULAR

Mariel Reis

Ingressa na poesia uma voz singular. O timbre afinado, o tratamento fino dado aos temas, a delicadeza de abordagem de objetos sob uma perspectiva sempre inventiva, todos os fatores somados ao peculiar misticismo engendrado pela poeta ao lidar com o cotidiano diferenciam seu modo de estar entre as pessoas e as coisas.

Dora Locatelli estréia com um livro de poemas intitulado A Raiz do Tambor. Não é propriamente uma estréia porque tarimbada em concursos com alguns dos poemas aqui reunidos, tendo lastro crítico no currículo, este chancelado por Afrânio Coutinho, mostrando que não é uma ingênua, uma artista intuitiva, mas alguém abalizada pela vivência intelectual, sem a perda do entrosamento emocional para a realização poética.
O livro pratica uma religação entre as coisas da terra, a fisis da construção poética da autora, com as coisas inefáveis, o som do tambor que se entranha aos demais objetos que constituem essa outra vida praticada por ela, que remonta sua relação com o mundo em novas releituras do que ele oferece e possibilita. Nisto está um ponto forte desta poesia. Ela amplia o que o mundo oferta, aponta o transcendente no iminente de cada coisa.

Dora Locatelli alia sua voz à do mundo. E não encontra contradição alguma, porque sabe que o substrado da vida é bem desse modo: mantém seu magma aceso com materiais diversos e até contraditórios, mas nunca esvaziados de segredos. E é neles que a poeta cose a sua verdade e nos entrega para o êxtase dos olhos dos iniciados.

 

Rita Moutinho
in Sete Vozes, Editora da Palavra, Editora da Palavra, RJ, 2004

 

Dora Locatelli, em “Ponto de cruz”, começa questionando quem é este animal / que uiva dentro de mim / neste começo de manhã? Metamorfoseando-se em loba que uiva para a Lua e em cachorra no cio, divaga sobre questões existenciais, a solidão, seu lugar neste mundo assustador, sombrio, onde a globalização e a sociedade afoita – representada nos versos que antecedem o fim por camelos voam apressados / para a venda de mercadorias – de uma certa forma abafa a voz mais íntima, a individualidade metaforizada pelo ponto isolado / marcado em cruz, sendo a cruz indiciadora de dor, de penoso O pequeno verso que dá fecho ao poema, e só, mostra que a poeta sente que o recado está dado e sublinha a idéia de solidão.

A partir do cheiro do suor masculino num chapéu de feltro, que do cabideiro se transporta do passado ao presente, no poema “Visita”, Dora enfoca a questão do desejo. É interessante salientar que o poema, com a marca da comunicabilidade e singeleza da autora, partindo de uma certa sinestesia – pois com gula cheira o chapéu  –, mostra com que intensidade o corpo resgata o desejo, levando o eu lírico a encantar-se até o pecado. Este último vocábulo aqui nos parece muito bem colocado, pois encerra em si as conotações de algo proibido, fechado, mas também de algo que, transgredido, pode levar a um deleite maior. Aplicam-se aqui palavras de Antonio Carlos Secchin na obra já citada: “Somos o que sobrevive em nós frente às ruínas de tudo aquilo que não foi possível esquecer”.
Novamente a animalização da mulher se manifesta em “Batom Free, de Paris”, através da pele de loba, que lhe permite, junto com o uso de um batom vermelho, chegar à categoria de puta e questionar culpas e posturas de carola do passado para admitir a importância da sexualidade. Usando expressões coloquiais, como numa boa, enlaçadas com metáforas, o poema chama atenção também pelo humor que leva à gargalhada do eu lírico e pela eficácia, na camada fônica, das rimas internas e assonâncias em / u /, que são uma espécie de susto no leitor que se defronta com algo agudo. Palavras como “labuta”, “puta”, “batuta, “culpa”, “estrebucha” e “dentadura” conduzem à estrofe final onde o sujeito do poema revela aliviado: limpei meu céu / de carolices.
Em “Destempero”, demonstrando a ousadia com que a voz feminina tem se manifestado nos últimos tempos, a autora começa por dizer nunca serei comedida. Daí parte para mostrar como o consciente e o inconsciente, despudoradamente, circulam na veia lírica, sangrando nas pulsões de morte e de vida. Fechando o poema, novamente a mulher animalizada (sou um animal comovido) mostra que no fazer poético sobrepõe-se a categoria emoção à categoria razão, ou melhor, de establishment.
No poema “Um certo ar de Medeia”, utilizando o mito da mulher que chega a matar os próprios filhos, quando perde sua paixão, Dora mostra uma figura feminina antes estátua de sal / do choro de muitos anos, que, na realidade, não está indiferente. Espreita e espera o outro tão martirizada que está pronta a empunhar seu punhal de rubi e seus dentes de jaguar para vingar uma dor. De grande força expressiva, com imagens pungentes, de novo a mulher, movida pela emoção e animalizada (vide a presença do jaguar), apesar de ferida sente-se pronta para soltar seu lado fera.
Em “Desnorteio”, na primeira estrofe, com as mãos em pesadelos, no peito um desnorteio sem bússola, tematiza-se perda, desesperança, doçura, desejo. A segunda estrofe é como uma reflexão sobre a primeira, onde o sujeito ameaçado pela solidão (deserto) acaba por mostrar que, na dicotomia desesperança x esperança, ETA, na mulher animalizada agora como “passarinhos”, aparece vencedora. Frisando que estes ainda cantam, mostra-se agarrado à pulsão da vida.
“Mea culpa” é um poema conciso em que a camada fônica também aparece bem trabalhada com rimas soantes e toantes. Uma dor pungente é opalinizada por belas imagens para no fim se mostrar crua, translúcida, real e um quê de ironia ameniza a dureza do tema.

Como revela em epígrafe própria, Dora, apesar de escrever indo ao fundo do tematizado, se assusta com o que enuncia. Lírica por excelência, com sinceridade, concisão, profundidade, humor, comunicabilidade e outros recursos, a autora emociona pela transparência dos  sentimentos não se perdendo em malabarismos verbais, apesar da eficácia das imagens levando o leitor a um estado de alma impactado. É uma voz não-velada – lembrem-se do verso nunca serei comedida – em um mundo áspero que se contrapõe ao veludo, ou ao geralmente macio pêlo dos animais, animais que tanto incorpora.

 

 

 

POESIA IN NATURA
Igor Fagundes

Quem é este animal
que uiva dentro de mim
neste começo de manhã?
Dora Locatelli.

Com a estreia deste A raiz do tambor, Dora Figueira Locatelli entra definitivamente para o hall dos poetas brasileiros contemporâneos e, de pronto, passa a integrar a estirpe daqueles que, inconformados ao longo da História com os rumos da cultura ocidental (e, por efeito da hegemonia, com os rumos do mundo), fundam a arte como o território de reconciliação do homem com a natureza. Frente à palavra mítica e religiosa, dominantes na Antiguidade e Idade Média, a promessa moderna e iluminista de progresso civilizatório teria feito da razão a maior amiga e inimiga do planeta. Se, por um lado, o projeto científico trouxe grandes avanços e benefícios à humanidade, por outro, resultou em bombas atômicas, culminou em guerras, dizimou o meio ambiente e ainda oprime os indivíduos com o desemprego estrutural de um homem substituído, cada vez mais, pela máquina que ele mesmo produz.
Quando Dora Locatelli escreve um livro que tem por título A raiz do tambor, convoca-nos, de imediato, a tanger o radical do nome – “humano” – que nos une: humus, que, em latim, designa a terra, o barro, a lama e, imediatamente, a nossa pertença primordial. A poesia de Dora se faz de tal modo engajada no que, por origem, nos compõe em diálogo com os demais seres vivos, que não ensurdece frente à autodestruição deste humano desrespeitoso de sua raiz: a natureza que dele participa irremediavelmente, embora tenha forjado para ela um lugar apartado, de objeto – de ciência – ou, nas hipóteses mais ecológicas (mas não menos pragmáticas), de meio ambiente. Dora Locatelli, no entanto, compreenderá a natureza não apenas como o âmbito telúrico e prévio à construção das cidades e ao desenvolvimento cultural, porquanto tudo isso depende da força criadora de tudo o que vem a ser e não ser. Ela sabe que, na fonte grega do pensamento ocidental, esta potência originária se chama poesia. Por natureza, então, a poeta nomeará esta tensão de ser e não ser, a partir da qual o mínimo e o máximo do mundo, o microscópico e o telescópico da percepção humana se perfazem élan de caos e cosmo. Por isso, em Dora, a natureza abrangerá mais do que os labirintos do solo, porque o além-céu que o homem não alcança – e organiza misteriosamente os astros – está, na verdade, no interior de nós mesmos, entre estrelas e buracos negros:

            De onde vem essa música
            Que pulsa
            Pulsa
            Pulsa e embala
            O fruto flutuando
            Nesse casulo tépido

É neste sentido que a palavra “tambor” vem irmanar-se à emblemática “raiz” do título do livro: o cosmo mora no movimento mais sutil, no mais miúdo ser vivo (“Me encanta / esse poder dos pequeninos”). Nesta poesia sequiosa de ouvir o coração do universo, “tambor” remontará, sim, ao primitivo, mas na consideração de que o princípio não condiz com o que fica ou ficou para trás, ultrapassado, mas o que, uma vez primeiro,segue sempre à frente. Desse modo, o princípio, o príncipe, o principal, tanto faz, consiste no que faz o presentea todo momento ser – presente – e, por isso, sua salvaguarda depende de uma ausência, de um ainda-não e um já-não-mais que perfazem – como silêncio – o corpo de cada som, o som (ou voz) de cada corpo: “A batida do tempo / fonte de vida, sussurra / a primitiva cantiga”.
Tal sobressalto da sonoridade a partir do silêncio, bem como do silêncio por sobre e entre as línguas do som, faz do instante esta dobra de presença e ausência chamada tambor. A música de terra-e-céu. Assim, a expressão raiz do tambor repercutiria como o encontro – e, porque cosmo em caos, concomitante desencontro – desta mulher feita de humus com tamanha força (ou poesia) do imenso-agora o qual, apenas por pobreza de atenção, parece e aparece breve, fugaz, ínfimo (quando na verdade é tão inacabado e inacabável como, por exemplo, os sete dias bíblicos da criação). Todavia, entregue às batidas de um tambor, Dora – menos cristã do que pagã – revela o compasso de eternidades que o magma profundo lhe entrega: eis a chama da linguagem, da qual se apodera, e com a qual se aquece, e na qual se queima –  “tudo uma só música / uma só palpitação apaixonada”.
Para os aficionados na ciência e no progresso pela razão, soaria bárbaro, ou romântico, ou idealista em demasia, a especulação de uma poesia lamacenta e brotada de dentro de uma vida não resumida (nem subsumida) aos impérios do pensamento pragmático e utilitário. No entanto, e por acreditar que romântica e idealista é essa ciência cega enquanto crente na evolução por antagonismo de cultura e natureza, Dora deflagra uma natureza jamais pré-determinada ou pré-determinável (se quem a esquadrinhou foi a própria cultura científica que dela se apropriou, imaginando razões). Nem boa, nem má; nem certa, nem errada, porque – como já se disse, entre caos e cosmo – capaz de permanecer mudando e, mudando, permanecer; ou seja: a partir da morte e para a morte, cujo ínterim – vida – se faz e se desfaz múltiplo enquanto único.

Largo o computador
Normas e contabilidades
Desgrudo as etiquetas
Aderentes de culpa
E por instantes, sou uma pastora de cabras

A rebeldia de Dora contra as amarras sociais e tecnocráticas buscará sustentação na própria ambiguidade instintiva dos seres inumanos, tão capazes de ternura quanto de voracidade; tão amáveis quanto aterrorizadores, para, inclusive, justificar o não-determinismo da natureza, livrando-a de toda utópica idealidade. Daí que, neste livro, se destacam as figuras ora selvagens, ora graciosas, ora impávidas, ora traiçoeiras de uma lírica fauna de “urubu”, “serpente”, “lagarto”, “pombo”, “leoa”, “loba”, frequentemente acompanhada por uma flora não menos sedenta de fala – tal uma “erva daninha” grávida de voz. É, sobretudo, neste cenário que a atravessa que a persona poética de A raiz do tambor se reconhece para desconhecer-se; para salvar-se dos pecados do enquadramento, das normatizações mundanas que tentam dizer o que o homem é, o que é a natureza, e como ambos – em pressuposta cisão prévia – devem proceder para serem aceitos quando dentro dos padrões ditados pelos loucos de lucidez (“Sobrevive o que entre feras / imola a delicadeza / rechaça de si a humanidade / e em realeza de besta / impera”).
Às avessas, Dora Locatelli (“Eu, loba doida, / completamente enluarada”) se permite a um desvario paradoxalmente saudável na e para a existência; admite, enquanto possuída pelo onírico, sofrer de uma patologia – aquela que, na raiz do tambor da palavra, é logos do pathos; é linguagem – força de sentido – da paixão, da comoção, da afecção, ou seja, da dor de ser (da dor que é ser!), sem a qual não há sonho realizado e realizador; não há a vertigem ébria que procura a felicidade como projeto sempre (não) cumprido. Porque, afinal, a plenitude significaria o fim ou o esgotamento de todo procurar. E o que temos, como vigor de escrita, se denomina busca. Por vezes, em Dora, amorosamente diáfana (“Os eucaliptos existiam / com seu hálito de fada / para que nós um dia / passássemos por eles”); em tantas outras, crítica e contundente (“Perdoai-me, senhores, eu vos declaro guerra. / A vós – contábeis, cartesianos e controladores – / Aos que extirpam a glândula da afeição”), mas sempre atenta – enquanto irmã do tambor das raízes – à sofisticação da simplicidade maior.

 

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UMA MINEIRA NADA QUIETA
Márcia Cavendish Wanderley

   
Nunca se sabe o que vai por trás de um rosto tranqüilo e de gestos comedidos de uma senhora mineira nascida na cidade interiorana de Passa Quatro, já instalada e aclimatada ao ar marinho carioca, mas guardando as marcas de sua origem. No caso de Dora Locatelli, uma cachoeira de emoções bem canalizadas em veios poéticos planejados e represados, mas que não escondem o ímpeto de onde provêem.  Uma sensibilidade à flor da pele, algumas vezes confessada abertamente até com certo orgulho, como no poema

“Destempero”,

Sou um animal comovido

e em outras revelada à socapa, apenas a seu santo predileto, São Benedito, o santo negro que resolve problemas amorosos (Benedito)

E que fique só entre nós
Esse meu choro tão destemperado” 

O que se percebe é que esta intensidade de emoções experimentadas em alto grau, interiormente, é responsável por uma verdadeira "Usina”, (título de mais um de seus poemas) de criação literária, urdindo sinfonias poéticas marcadas pelo rufar de um tambor, ora macabro, ora alegre, que imprime ritmos diversos aos poemas, às vezes construídos com a matéria prima do cotidiano e outras com o mistério das epifanias e das transcendências. Sim, porque sua poesia, sem ser religiosa, é mística, e trata a matéria etérea com a mesma intimidade com que trata as “bestas–feras humanas” (Quase sempre) e compreende os tambores – e suas batidas, como sons capazes de conclamar forças misteriosas que transformam homens em deuses:

Homens se tornam deuses
Pelo tempo de um ritual
Quem comanda quem?
As mãos que tocam tambores?
As batidas dos tambores?
As forças? Os homens?  Os deuses?
Indagação inútil para inúteis respostas
Melhor
Ouvir
A voz que deles
Vem

O rufar dos tambores pode ser ouvido em muitos poemas como se fossem batidas do próprio coração “comovido” da poeta, num livro permeado de muitos sons e melodias, que se traduzem em sinfonias, cantos gregorianos, cantatas de Bach  e Wagner  escutada por Dora em êxtase mas com humor,  ironizando o próprio “Destempero” em lúcida auto-crítica pós moderna:

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Inexplicáveis emoções do ser –
Ele me deixa sempre assim
Com sua música.
Desvairada, possuída
Desconcertantemente
Epifânica e dionisíaca.
Vai a gente entender
De arrebatamento

Um arrebatamento que também sabe silenciar e refletir, criticamente, a condição do ser humano enquanto poeta:

Em cada passo o poeta,
Pisa uma pedra de sonho”(Desencontrado)

Avaliando também a si própria enquanto poeta:

E com esta matéria esfacelada e sangrenta
com esta matéria etérea
é que fabrico o poema .
Mas a voz é pequena e rouca
E só canta uma milésima parte
da sinfonia  inteira.

Talvez Dora seja verdadeira em seu depoimento poético porque deve ser assim que se sente o criador modesto, mas nós que somos seus leitores agradecemos essa fragilidade potencializada em força poética em livro como este que encanta justamente pela emotividade contagiante. E toda ela entregue ao alarido de uma voz apaixonada modulada ao som de sinfonias, valsas e cantatas sob o ritmo e o sortilégio das “batidas implacáveis” dos tambores.

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A leitura do livro de Dora Locatelli exige um pré-requisito: é preciso coragem para enfrentar a zona profunda da nossa condição. Trata-se de uma experiência muitas vezes temível, penetrar num sítio já quase desconhecido, que é a essência da natureza humana, hoje sitiada por conceitos mundanos.
Tal expedição não é fácil para ninguém. Viver, par ao poeta, atordoa, espanta, esmaga. Dora trouxe da sua vivência a intimidade com a dor. Mas acima dos ruídos dissonados causados pelo sofrimento levantou-se outro rumor, vindo da raiz dos tempos prpimordiais, trazendo a matriz da múscia do universo.
Ritmado, forte, poderoso como o instinto de sobrevivência, esse rufar acordou sonhos e sentidos, e em par com o conhecimento tornou-se  matéria prima para a sinfonia na qual a autora descobre, traduz e interpreta o seu encontro com o supremo.

 

Helena Ortiz

 

 

 

 

 
 
 
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